A vida de arubaito – Parte II

Olá! Hoje vim falar da rotina de um arubaito na fábrica Chatoraise.

Na fábrica, os horários de entrada dos funcionários são variados, mas a grande maioria começa a trabalhar de manhã. Alguns preferem fazer yakin (turno da noite) pois há o acréscimo de 25%, mas é difícil um arubaito conseguir, eles dão preferência para os veteranos. Eu já cheguei a entrar 5h, 7h, 9h… e só descobrimos o horário de entrada do dia seguinte no dia anterior, ou seja, tinha dias que ficávamos trabalhando até 23h e descobríamos que no dia seguinte entraríamos às 5h ( aí íamos com uma carinha de gatinho do Shrek pro nosso chefe e pedíamos para ir embora e explicávamos o motivo).

O nosso dia a dia funcionava assim:
Se fossemos entrar às 6h na fábrica, o sogue (van) vinha nos buscar 1h13 antes na porta de casa (sim, esse horário era obedecido à risca), ou seja, 4h47 ele estava lá e nos levava para a fábrica. Pegando esse horário de exemplo, minha rotina ficava:

4h : Acordar
4h15 : Tomar banho
4h30: Tomar café da manhã
4h47 : Pegar o soguê
5h20 : Chegar na Fábrica
5h20 – 5h45 : Colocar uniforme e tomar outro café (Boss de preferência hehe)
5h50 : Bater cartão (pontualidade SEMPRE)
6h : Começar a trabalhar na Linha de Produção
8h30 : Kyukei (intervalo de 10 min) – esses horários não eram padrão, cada chefe dava o intervalo/almoço quando bem entendessem, alguns até esqueciam e tinha que lembrá-los.
11h : Almoço de 40 min
13h30 : Kyukei (intervalo de 10 min)
15h : Fim do expediente normal. Quase sempre tinha mais 2h de zangyo (hora extra) e quando não tinha, nós implorávamos para fazer.

Na saída, eram apenas 10min para bater o cartão, trocar de roupa, lavar a sola do sapato e correr para o soguê para não perdê-lo. Se ele fosse embora, tínhamos que esperar mais uma hora para pegar o próximo. Chegávamos em casa, esperávamos a maioria dos baitos voltarem e decidíamos se íamos jantar fora, ir no karaokê, no Aeon Town, andar de bicicleta, ver um filme…não tinha uma noite que não inventávamos algo para fazer.

Folgas
A maioria das viagens que fiz pelo Japão foi nas minhas folgas. Cada andar da fábrica tinha um chefe responsável pelas folgas, e cada um tinha um critério para estabelecer as folgas. Demos sorte do nosso chefe dar a liberdade de escolher quais dias queríamos folgar. O cálculo da quantidade de folgas no mês, era da seguinte maneira: todo mês precisava ter 22 dias trabalhados, o resto era folga; então em fevereiro tínhamos menos folgas e no mês de dezembro também, pois começamos a trabalhar a partir da segunda semana.

Ao longo dos posts vou contando mais detalhes da vida na fábrica, pois são muitas experiências e aprendizados adquiridos! Se tiverem alguma dúvida, postem nos comentários que tentarei ajudá-los!

Aproveite e veja também:

A vida de arubaito – parte I

A vida de arubaito – parte III

A vida de arubaito – parte IV

Beijos,

Pri 🙂

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4 thoughts to “A vida de arubaito – Parte II”

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